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  • Isabella Procópio

A música e a corrente do bem

Atualizado: Abr 13


Já dizia Ruvem Alves: "Toda alma é uma música que se toca." Para bom entendedor, meia palavra basta. Nós vivemos sob influência musical desde o começo dos tempos. Ouvimos nossa canção favorita em momentos de felicidade, de consolo, de apoio e também nos maiores momentos de lembranças. A música pode ser a cura para a saudade ou o aconchego quando esta estiver forte demais. Se foi assim desde a Grécia Antiga e até antes disso, durante a pandemia do Codiv-19 não poderia ser diferente. A música se fez presente e mais do que isso, com um singelo gesto, curou.

Tudo começou na Itália, na segunda semana de março, quando músicos foram até as sacadas de suas casas e tocaram para aqueles de quarentena. O gesto que encheu o coração dos italianos de aconchego, aos poucos virou um meio de apaziguar o constante medo causado pelo crescimento do contágio do Coronavírus. Nem sempre houve melodia, mas ainda assim vozes cantaram juntas ao som do que parecia ser um hino de esperança. O mundo sentiu o amor vindo de todos os lados.

Além de canções nas janelas, fomos despertados para as lives nas rede sociais. A Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com a cantora Lady Gaga e com a ONG Global Citizen, entrou na onda para criar a live “Together at home” na qual grandes artistas internacionais cantarão seus sucessos, cada um dentro de sua própria casa, no dia 18/04. A “live das lives” será transmitida em redes como Youtube, Facebook, Instagram e Twitter. No brasil será transmitida pela MTV e Paramount Channel.

A música virou um ponto de fuga em meio ao caos do isolamento social.

No Rio de Janeiro o bombeiro Elielson dos Santos protagonizou uma cena emocionante. Ele subiu até o alto de uma escada de 50 metros e tocou no trompete o clássico “Eu sei que vou te amar” de Tom Jobim. Em Nova York a cidadã Maura Lewinger escolheu se despedir do marido Joe, vítima do novo Coronavírus, através de uma música. Segundo entrevista para o CNN o último contato de Maura com o marido foi em uma chamada de vídeo na qual ela tocou para Joe a música oficial do dia em que casaram. Maura também criou outra canção especial para ele quando ouviu dos médicos que Joe não tinha mais pulso. Um gesto de amor e respeito.

A música também foi disfarçada de outros sons. Em vários países os aplausos nas janelas traduziram um simples ato de gratidão aos profissionais da saúde que tanto batalharam e batalham por todos nós. A corrente do bem, lindamente, se espalhou.

1. Moradores começaram a se oferecer para ir aos supermercados e farmácias no lugar de seus vizinhos com mais de sessenta anos. 2. Muitos proprietários reduziram o preço dos alugueis pela metade para não prejudicar os que estão sofrendo economicamente com a pandemia. 3. Em Uberaba, Curitiba (PR), uma empresária distribuiu álcool em gel gratuitamente em seu pequeno comércio e muitos puderam, finalmente, se proteger contra o Coronavírus. Entre muitos outros. A corrente é extensa e aceita qualquer pessoa, qualquer gesto, qualquer ato de amor.

Obrigada Elielson, obrigada profissionais da saúde, obrigada a você que luta pelo fim dessa era de tristeza. Obrigada à música por encher nossos corações... Depois dessa, o ser humano vai ser mais humano.

Que a melodia da esperança preencha o vazio e o medo dentro de cada um nós. E que daqui há alguns meses as únicas melodias tocadas sejam aquelas de alívio e de celebração.


Por Isabella Procópio Ribeiro, 12/04/2020

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