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A Pandemia da Solidariedade

A Pandemia da Solidariedade

É possível pensar em uma pandemia mundial como um "despertar da solidariedade?"

Com mais de 50 mil mortes apenas no continente europeu, somos, mais do que nunca, vítimas de um mundo egoísta onde a economia interfere na saúde, na sociedade e na forma como valorizamos nossas vidas. Ninguém está imune.

Uma pesquisa do Datafolha aponta que 76% dos brasileiros defendem o isolamento social e estão dispostos a ficar em casa para que o número de infectados diminua e, eventualmente, a pandemia se dissipe. Mas mesmo com medidas antecipadas tomadas pelo Ministério da Saúde, o país registra hoje 12.056 casos e 553 mortes, sendo que 4.866 desses casos estão no Estado de São Paulo.

Será que estamos realmente fazendo nossa parte? Será que é justo que alguns de nós tomem certas atitudes, enquanto outros agem como se nada estivesse acontecendo? Será que nossa ambições valem mais do que milhões de vidas? A era da consciência precisa ser agora.

O Coronavírus, recente monstro que assombra a população mundial, foi o despertar para uma revolução até então adormecida - a revolução da solidariedade. A pandemia do Covid-19, apesar de tanta tragédia, trouxe também, para muitos, a responsabilidade e a conscientização do valor social. Não existe mais o "cada um por si", somos todos contra um vírus perigoso e subestimado que aos poucos está nos derrubando.

Vivemos em um momento no qual ir ao supermercado é um ato de perigo e o abraço é nosso principal inimigo. Nos tornamos um povo que entende a importância de defender nossos idosos, nossos doentes, nossas crianças. Nos tornamos um único grupo que entende o "não sair" como um ato de bondade. Nos tornamos o que já deveríamos ser desde o começo dos tempos - humanos. Pela primeira vez estamos a caminho de descobrir o verdadeiro valor da humildade e da igualdade.

Mas, apesar da revolução já ter começado, ainda há muito o que ser feito. É preciso aprimorá-la e, principalmente, aceitar as consequências que ela pode nos trazer. Não adianta usar luvas, máscaras e álcool em gel se sua consciência continua te dizendo para sair, para desacreditar da existência e da importância do próximo. Lembrando que o afastamento social não é só para evitar a doença, mas para diminuir o ritmo de contágio.

Se o abraço, o toque e os gestos físicos de carinho fazem falta, faça deles a sua arma para reverter o que está por vir. Use dos abraços virtuais, das ligações de longas horas e da conexão sentimental para criar uma antídoto contra o desespero, contra o medo e contra o egoísmo. Deixe que esse momento de quarentena nos fortaleça e nos una como nunca antes uniu.

O "fica em casa" é um apelo íntimo para o que temos de mais puro e verdadeiro dentro de nós. É por nossos filhos, por nossos avós, por nossos pais e pelas pessoas que mais amamos. É por quem não conhecemos, pelos que necessitam e pela nossa capacidade de, ainda assim, amá-los. É pelo respeito mútuo e, mais do que tudo, pelo futuro do ser humano.

O inimigo principal não é mais o Covid-19, mas sim nós mesmos. Chegou a hora de sermos um só. Chegou a hora de falarmos menos e fazermos mais, ou nesse caso, não fazer, não sair, não desrespeitar. Chegou a hora de lutarmos contra o mesmo inimigo e, mais do que nunca, nos amarmos. Partimos a partir de hoje de uma revolução pela metade, para uma revolução inteira, igualitária e solidária. O recomeço começa com cada um de nós.

Por Isabella Procópio Ribeiro, 06 de abril de 2020

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/04/para-76-as-pessoas-devem-ficar-em-casa-diz-datafolha.shtml


https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/04/05/brasil-tem-486-mortes-e-11130-casos-confirmados-de-coronavirus-diz-ministerio.ghtml


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