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Os Heróis da linha de frente

Em tempos de guerra, sempre esperamos que super-heróis assumam o controle para nos salvar do perigo. Em tempos de pandemia, os heróis são evidentes: os profissionais da saúde que lutam diariamente contra um inimigo invisível. Vestidos dos equipamentos de segurança e com suas bases de operação localizadas nos hospitais e unidades de saúde, a coragem, a sensibilidade e a força têm sido seus principais superpoderes.


Buscando métodos eficazes para diminuir o problema ou sendo suporte dos que precisam de cuidados, esses profissionais se colocam frente aos riscos em prol da sociedade. Mais do que nunca, se apresentam como protagonistas, promovendo a vida e o bem-estar das pessoas em meio a uma grande crise de saúde.


Os desafios não são poucos: alto risco de contaminação, carga excessiva de trabalho e inúmeras incertezas. Além disso, muitos escolheram se afastar de seus familiares para poupá-los dos riscos da exposição ao vírus. Em depoimento, uma enfermeira de um hospital público de Minas Gerais afirmou que “cada dia de plantão é um desafio novo e diferente do que fomos treinados durante os anos de estudos”. A profissional continua dizendo que “apesar do medo e da incerteza que sentimos todos os dias, o que nos impulsiona é a certeza da importância que temos neste momento para que tudo fique bem”.


O cenário caótico despertou, inclusive, uma preocupação com a saúde mental dos profissionais envolvidos e se tornou alvo de pesquisas de órgãos como a USP, que elaborou um formulário a fim de saber do estado de saúde mental dos que ocupam a linha de frente, especificamente da área de enfermagem, além de indicar sites de ajuda psicológica. Sobre o desgaste emocional, a enfermeira desabafa que “nunca tivemos tanta vontade de estar em casa, mas permacemos”. Alega ainda que “aqueles que infelizmente partem deixam o lembrete de que a luta é séria.” Segundo a profissional, eles cultivam a certeza de que “cada paciente é o amor de alguém, não um número, ninguém é estatística”.


Com todos os olhares voltados para esses profissionais devido às necessidades urgentes, ela conta que nunca foram tão valorizados e homenageados. “Nossa dor e luta diária nunca possuiu uma voz e holofote tão grande”, relata. Em contrapartida, o foco dos médicos e enfermeiros são os bons resultados de seus pacientes. “Não se trata apenas de nós, mas de cada paciente que volta para agradecer, se despedir e dizer que vai pra casa”.


Vivemos uma fase difícil, e talvez o maior desafio de nossa geração. Felizmente, os profissionais da saúde, com seus feitos heroicos, nos mostram todos os dias que ainda há esperança apesar da turbulência. Super-heróis cheios de humanidade, eles temem, mas continuam, com um lema: “São tempos muito difíceis, mas é preciso que as pessoas saibam que estamos, sobretudo, FIRMES”.

Por: Layane Almeida



FONTE:

Pesquisa avalia saúde mental dos profissionais da saúde. Jornal da USP, 2020. Disponível em: <https://jornal.usp.br/universidade/pesquisa-avalia-saude-mental-dos-profissionais-de-enfermagem-durante-a-pandemia/>. Acesso em: 17, mai e 2020.

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